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Protocolos para febre hiperglicemia e disfagia em pacientes com AVC

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 27/03/2012

Comentários de assinantes: 1

Área de atuação: Medicina Hospitalar

 

Especialidade: Neurologia, Clínica Médica

  

Resumo

O acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de mortalidade e de morbidade em nosso país. Febre, hiperglicemia e disfagia são condições comuns após um AVC e associam-se a um pior prognóstico. Este estudo objetivou avaliar o efeito de um pacote de intervenções para minimizar o impacto destas três condições e o seu resultado no prognóstico de pacientes com AVC.

 

Contexto clínico

Febre, hiperglicemia e disfagia são comuns após um AVC e associam-se a aumento da morbidade e da mortalidade. Este estudo objetivou avaliar o impacto da implementação de protocolos de controle de febre, glicemia e avaliação da disfagia e os resultados para os pacientes 90 dias após a admissão por um AVC.

 

O estudo

O estudo randomizou unidades de AVC para o uso dos protocolos ou não. Foram incluídos pacientes com 18 anos ou mais com AVC isquêmico ou hemorrágico, admitidos com até 48 horas de sintomas e que não tivessem indicação de cuidados paliativos.

As intervenções consistiam em:

 

       monitorar a temperatura a cada 4 horas e tratar valores = 37,5°C com paracetamol;

       monitorar glicemia e iniciar solução salina por 6 horas se estivesse entre 145 e 200 mg/dL para pacientes diabéticos ou entre 145 e 290 mg/dL para pacientes não diabéticos. Se a glicemia fosse maior que 200 mg/dL em diabéticos ou maior que 290 mg/dL em não diabéticos, iniciava-se infusão de insulina;

       rastreamento de disfagia e avaliação com ferramenta específica. Caso houvesse alguma alteração, o paciente seria avaliado por um fonoaudiólogo.

 

O grupo controle era tratado conforme as diretrizes de AVC. O desfecho primário analisado foi morte ou dependência em 90 dias, que ocorreu em 58% dos pacientes no grupo controle e 42% no grupo intervenção (p=0,002). Os pacientes no grupo intervenção também relataram melhora dos sintomas físicos, medidos pelo questionário SF-36 (p=0,002). Os pacientes no grupo intervenção tiveram menores temperaturas, glicemias e tiveram a disfagia mais frequentemente rastreada.

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo mostrou que uma série de intervenções simples é capaz de melhorar o prognóstico de pacientes do “dia a dia” admitidos com AVC. O número necessário para tratar foi de 6,3. Apenas a título de comparação, o NNT da trombólise varia de 8 a 14, segundo a revisão dos autores. Além disso, preocupações excessivas com o controle da pressão arterial acabam fazendo com que estas medidas, comprovadamente mais efetivas em reduzir desfechos importantes, sejam negligenciadas. Embora seja um estudo único, as intervenções são simples e corriqueiras e não há porque não adaptá-las ao nosso meio, onde o AVC é a principal causa de morbidade e, na maioria das regiões, de mortalidade também.

 

Glossário

Estudo randomizado: estudo que “sorteia” pacientes (no caso deste estudo, unidades de AVC) para um (ou mais) de dois grupos e compara seus resultados após uma intervenção.

  

Bibliografia

1.   Middleton S, McElduff P, Ward J, Grimshaw JM, Dale S, D'Este C et al. Implementation of evidence-based treatment protocols to manage fever, hyperglycaemia, and swallowing dysfunction in acute stroke (QASC): a cluster randomised controlled trial. Lancet. 2011 Nov 12;378(9804):1699-706. [Link para Resumo] (Fator de impacto: 33.630)

Comentários

Por: Alexandre Amaral em 24/03/2012 às 12:34:23

"Muitas das vezes, medidas simples previnem complicações nos doentes críticos. O IHI com suas medidas mundialmente conguecidas provou que tais rotinas mudam a mortalidade. Porém é mais trabalhosa e requer vigilância permanente dos doentes por parte de toda a equipe. E principalmente chefia e gestão do coordenador da unidade. Infelizmente não é isso que presenciamos nas UTIs brasileiras, aonde se dá preferência a ceifar a consciência do doentes com altas doses de sedativos, ao invéz de acompanhar a evolução clínica da patologia..."

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