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Uso de adrenalina e estratégias de inalação na bronquiolite aguda

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/11/2013

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Especialidades: Pediatria / Pneumologia / Infectologia

 

Resumo

Este estudo mostra qual o papel da adrenalina e das frequências de inalações no tratamento da bronquiolite aguda.

 

Contexto clínico

A bronquiolite aguda é uma condição que ocorre em crianças e frequentemente leva à hospitalização; em alguns casos, pode precisar de suporte ventilatório, porém são raros os casos de óbito. É causada por alguns vírus, sendo o mais comum o vírus sincicial respiratório. O quadro clínico normalmente é de taquipneia, dispneia, secreção nasal, retrações no tórax e ausculta de crepitações e sibilos.

O grande problema é que não existe um consenso absoluto de tratamento da terapia inalatória, seja quanto aos medicamentos a ser utilizados, seja quanto à frequência de administração. O objetivo do estudo aqui apresentado foi verificar a efetividade de inalação com adrenalina em mistura racêmica com soro fisiológico, bem como a estratégia da frequência de inalações (de demanda ou horário fixo) em crianças internadas com bronquiolite aguda.

 

O estudo

Este é um estudo randomizado multicêntrico duplo-cego realizado em crianças com menos de 12 meses de idade com bronquiolite aguda de moderada a severa, com base em um escore clínico com pontuação maior ou igual a 4 (escore de 0 a 10). A idade média das 404 crianças incluídas foi de 4,2 meses, sendo 59,4% do sexo masculino.

Foi comparada a inalação de adrenalina em mistura racêmica ou soro fisiológico, e comparadas as estratégias de inalação de demanda com de horário (até  cada 2 horas). O principal desfecho avaliado foi tempo de internação.

Quanto ao uso de adrenalina ou soro fisiológico, não houve diferença quanto a tempo de internação, uso de oxigênio suplementar, uso de alimentação por sonda enteral, uso de suporte ventilatório e melhora do escore clínico da internação (P > 0,1 para todas as comparações). O grupo que fez inalação de demanda teve um tempo médio de internação menor com 47,6 horas contra 61,3 horas do grupo que fez inalação de horário (P=0,01). O grupo de demanda também usou menos oxigênio suplementar (38,3% vs. 48,7%; P=0,04), precisou de menos suporte ventilatório (4% vs. 10,8%; P=0,01), e precisou de menor número de inalações (12 vs. 17; P<0,001).

 

Aplicações para a prática clínica

A conclusão deste grande estudo randomizado multicêntrico é que, no tratamento da bronquiolite aguda em crianças com menos de 12 meses, não há vantagem no uso de adrenalina sobre o soro fisiológico, e que a estratégia de inalações de demanda parece ser melhor que utilizar prescrição de horário, levando a menos suporte de O2, menos suporte ventilatório e menor tempo de internação.

A questão da adrenalina não ser mais efetiva que soro fisiológico se junta à outra evidência de que beta-2-agonista (albuterol especificamente) não teria papel na melhora clínica e de oxigenação, algo levantado por metanálise da Cochrane. Sendo assim, inalar apenas com soro fisiológico é a medida padrão. Quanto à inalação por demanda, parte deste efeito pode decorrer do fato de que salina pode causar broncoconstrição em crianças sobretudo menores de 3 meses de idade, um efeito que talvez não possa ser ignorado no contexto deste estudo, ou seja, quanto menos inalações, melhor. Outro ponto é que, fazendo menos inalações, ocorre menos manipulação da criança, permitindo que ela passe mais tempo dormindo ou em repouso, algo que é fundamental no tratamento da bronquiolite aguda.

 

Bibliografia

1.        Skjerven HO, et al. Racemic adrenaline and inhalation strategies in acute bronchiolitis. N Engl J Med 2013; 368:2286-2293. (link para o artigo)

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