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Drenagem de Tórax

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 16/10/2015

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Quadro Clínico

Paciente feminina, 39 anos, sem doenças mórbidas, já tendo realizado apendicectomia há 19 anos e implante de próteses mamárias há nove anos, procurou atendimento médico com dor torácica de início súbito. A paciente foi diagnosticada com um extenso pneumotórax, que posteriormente foi drenado, como podemos ver na imagem 1, onde há uma radiografia de tórax de controle da paciente.

 

Imagem 1 – Radiografia de Tórax

 

 

 

Diagnóstico e Discussão

Podemos observar que esta paciente foi adequadamente drenada, estando com seu pulmão em hemitórax direito completamente expandido. Trata-se de um caso de ocorrência de pneumotórax espontâneo primário, que é um pneumotórax que ocorre sem um evento precipitante em uma pessoa que não tem conhecido doença pulmonar. Na realidade, o pneumotórax resultante da ruptura de uma bolha subpleural.

Alguns fatores predispõe à ocorrência de pneumotórax, como tabagismo, história familiar sugestiva de doença genética, a presença de síndrome de Marfan, de homocistinúria, e endometriose torácica, que causa o chamado pneumotórax catamenial.

As opções de tratamento inicial para pneumotórax espontâneo primário incluem uso de oxigênio suplementar, aspiração com agulha, inserção de dreno torácico (ou seja, uma drenagem pleural) e toracoscopia. A escolha do procedimento depende de características do paciente e as circunstâncias clínicas.

Pacientes que estão clinicamente estáveis e que tenham um pneumotórax pequeno (menor ou igual a 2 a 3 cm entre o pulmão e a parede torácica em uma radiografia de tórax) podem receber oxigênio suplementar, analgésicos e serem observados. Se o paciente está estável mas o pneumotórax tem > 3cm entre o pulmão e a parede torácica, ou há dor torácica, ou dispnéia, ou ainda se há líquido associado (hemopneumotórax, por exemplo) a opção é a drenagem, sendo possível que o paciente venha a precisar de toracoscopia. Quando não é possível realizar toracoscopia mas o paciente não melhora com a drenagem, uma alternativa é realizar pleurodese química através do próprio dreno inserido.

Todo paciente clinicamente instável deve ser submetido à punção do 2o espaço intercostal para alívio imediato do sintomas, seguido de drenagem torácica. A punção do espaço intercostal pode ser realizada através da colocação de um cateter intravenoso de calibre 14 (jelco) para dentro do espaço pleural. O local de inserção tem sido, tradicionalmente, no segundo ou terceiro espaço intercostal (EIC) na linha médio clavicular, mas a espessura da parede torácica nesse local pode impedir o acesso ao espaço pleural. Alternativamente, como local de inserção, poderia ser usado o quinto EIC na linha axilar anterior ou anterior à linha axilar média.

 

Bibliografia

Light RW. Pleural Diseases, 6th ed, Lippincott, Williams and Wilkins, Philadelphia 2013.

 

Sahn SA, Heffner JE. Spontaneous pneumothorax. N Engl J Med 2000; 342:868.

 

Voisin F, Sohier L, Rochas Y, et al. Ambulatory management of large spontaneous pneumothorax with pigtail catheters. Ann Emerg Med 2014; 64:222

 

Wakai A, O'Sullivan RG, McCabe G. Simple aspiration versus intercostal tube drainage for primary spontaneous pneumothorax in adults. Cochrane Database Syst Rev 2007; :CD004479.

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