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Características de Infecções secundárias em UTI após admissão por sepse

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 04/07/2016

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Contexto Clínico

Não é incomum que pacientes sépticos fiquem sujeitos a outras infecções. A sepse é capaz de induzir supressão imune, levando a um aumento da susceptibilidade a infecções secundárias com a mortalidade tardia associada. Infecções adquiridas em pacientes internados na UTI com ou sem sepse foram estudadas para verificar quais suas características e quem sabe apontar direções futuras.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo observacional prospectivo compreendendo admissões consecutivas com mais de 48 horas de 2 UTIs na Holanda a partir de janeiro de 2011 a julho 2013 estratificados de acordo com diagnóstico de admissão (sepse ou não sepse). O desfecho primário avaliado foi infecção na UTI adquirida (início > 48 horas). Foi calculado o risco atribuível de mortalidade (fração de mortalidade que pode ser prevenida pela eliminação do fator de risco, no caso, infecção adquirida). Num subconjunto de admissões com sepse (n = 461), (transcriptoma de todo o genoma em leucócitos) foram analisadas expressões gênicas na linha de base e no início da infecção adquirida na UTI (n = 19).

A coorte primária incluiu 1.719 admissões por sepse (1.504 pacientes, idade média, 62 anos; 924 homens [61,4%]). Uma coorte comparativa incluiu 1.921 admissões (1.825 pacientes, idade média, 62 anos; 1.128 homens [61,8%]) em quem a infecção não estava presente nas primeiras 48 horas. Infecções adquiridas na unidade de terapia intensiva ocorreram em 13,5 % das admissões por sepse na UTI (n = 232) e 15,1% das internações sem sepse na UTI (n = 291). Os pacientes com sepse que desenvolveram uma infecção adquirida na UTI apresentaram escores de gravidade da doença mais elevados na admissão do que pacientes com sepse que não desenvolveram uma infecção ( APACHE IV com pontuação mediana 90 [IQR, 72-107] vs 79 [IQR, 62-98]; P <0,001). A fração de mortalidade atribuível a infecções adquiridas em UTI em pacientes com sepse foi de 10,9% (IC95%, 0,9% -20,6%) por 60 dias, a diferença estimada entre a mortalidade em todos os pacientes com uma admissão por sepse e a mortalidade nos pacientes sem infecção adquirida na UTI foi de 2,0% (IC95%, 0,2% -3,8%; P = 0,03) por 60 dias. Entre as internações em UTI sem sepse, infecções adquiridas tiveram uma fração atribuível de mortalidade de 21,1% (IC de 95%, 0,6% -41,7%) no dia 60.

 

Aplicações Práticas

Por esse excelente estudo observacional concluímos que infecções adquiridas na unidade de terapia intensiva ocorrem mais frequentemente em pacientes com sepse com maior gravidade da doença (conforme medida do APACHE IV), embora  essas infecções tenham contribuído  apenas modestamente para a mortalidade global, com um valor de apenas 2% de diferença. A despeito disso, entre as internações sem sepse, as infecções adquiridas à fração de mortalidade atribuível é de 21%, o dobro da mortalidade atribuível à infecção adquirida em pacientes internados por sepse, que foi de apenas 11%.

 

Referências

Van Vught LA et al. Incidence, Risk Factors, and Attributable Mortality of Secondary Infections in the Intensive Care Unit After Admission for Sepsis. JAMA. 2016;315(14):1469-1479.

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