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Eletrocardiograma 63

Autores:

Fernando de Paula Machado

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do HC-FMUSP. Médico Diarista do Pronto-Atendimento do Hospital Sírio-Libânes.

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 01/04/2019

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Quadro Clínico

Homem de 76 anos com antecedente de DPOC, em programa de reabilitação, apresentado medida de pulso de 40.

 

Eletrocardiograma do paciente

 

Ver diagnóstico abaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diagnóstico

Arritmia Ventricular Complexa. Este paciente apresenta ritmo sinusal com extrassístoles ventriculares frequentes e polimórficas:

 

Figura 1: DII com ritmo sinusal

 

Figura 2: DII com condução sinusal, extrassístole e pausa compensatória até nova condução sinusal. Notem a semelhança entre o complexo QRS inicial e o QRS após a pausa.

 

Figura 3: AVL,AVF e DII com extrassístoles ventriculares polimórficas.

 

Discussão

            A presença de mais de 10 extrassístoles por hora (evidenciada geralmente em exame de Holter 24h) configura a presença de arritmia ventricular complexa.

            As extrassístoles ventriculares são impulsos originados em região distal das fibras de Purkinje e representam a arritmia ventricular mais frequente. Seu significado depende da presença ou não de doença cardíaca estrutural. O prognóstico também depende da frequencia e características das extrassístoles. Há maior risco de morte em pacientes com doença arterial coronária, porém não há benefícios na supressão das extrassítoles em qualquer população.

            Em pacientes assintomáticos o aparecimento de ectopia ventricular frequente durante o teste ergométrico  (série de 2 ou mais extrassístoles ou mais de 10% das despolarizações em registros de ECG em repouso, durante esforço ou na fase de recuperação) é associado a aumento de 2,5 vezes no risco de morte cardiovascular.

            Extrassístoles ventriculares polimórficas são de pior prognóstico.

 

Causas de extrassístoles

 

  • Cardíacas:
  •           - IAM

              - Valvopatia (prolapso valva mitral)

              - Miocardiopatia

              - Contusão cardíaca

              - Bradicardia

              - Taquicardia (situacoes catecolinérgicas)

     

  • Não Cardíacas
  •           - Distúrbios eletrolíticos – hipomagnesemia, hipocalemia, hipercalcemia

              - Medicações – triciclícos, digoxina, pseudoefedrina, fluoxetina

              - Drogas – cocaína, anfetamina, cafeína, álcool

              - Anestésicos

              - Cirurgias

              - Stress

              - Infecção

     

    Tratamento

     

  • Na ausência de doença cardíaca estrutural e em pacientes assintomáticos não há necessidade de medicação. Em pacientes sintomáticos deve-se explicar os sintomas e ausência de risco, evitar fatores precipitantes e prescrever ansiolíticos se necessário. Em pacientes muito sintomáticos deve-se pesar risco benefício do uso de betabloqueadores ou bloqueadores de canal de cálcio.
  •  

  • Na presença de doença cardíaca estrutural há várias estratégias invasivas ou nao pra predizer prognóstico nos pacientes pós-IAM. A presença de 2 ou mais fatores sugerem avaliação invasiva : Fração de ejeção < 0,40; presença de potencial tardio (ECG de alta resolução); extrassístoles ventroculares reentrantes
  •  

  • Tratamento de suporte inclui otimização de medicações para ICC e DAC, balanço hidroeletrolítico e controle pressórico.
  •  

  • A ablação deve ser considerada em pacientes refratários a tratamento medicamentoso ou que nao desejam utilizar medicações por longo período e em tempestades elétricas desencadeadas pela mesma morfologia de extrassístole.
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